Cirurgia Geral

Câncer do Pâncreas

Câncer do Pâncreas

O pâncreas é um órgão que apresenta duas funções distintas e extremamente importantes. Ao mesmo tempo que é responsável pela secreção no intestino de enzimas responsáveis pela digestão (chamada de função exócrina do pâncreas), também controla a secreção no sangue de alguns hormônios (chamada de função endócrina do pâncreas).  Dentre estes hormônios, o de maior destaque é a insulina que é responsável pelo controle do açúcar no sangue.

    Outra característica peculiar do pâncreas é a sua localização anatômica estratégica. O pâncreas está em íntimo contato com diversas estruturas nobres:

  • veia porta - leva o sangue do intestino para ser metabolizado no fígado (representa 70% do fluxo sanguíneo hepático)

  • artéria mesentérica superior - leva o sangue rico em oxigênio para todo o intestino delgado

  • duodeno (primeira parte do intestino, depois do estômago)

  • colédoco (canal que leva a bile do fígado até um intestino).

     Desta maneira, fica fácil compreender que um tumor no pâncreas pode facilmente crescer e invadir uma dessas estruturas citadas, prejudicando o funcionamento do corpo e dificultando a retirada cirúrgica do tumor.

    Existem vários tipos de câncer que podem acometer o pâncreas, entre eles estão o adenocarcinoma (que é o tipo mais comum e também de pior prognóstico) e os tumores neuroendócrinos (tumores menos frequentes, que apresentam um crescimento mais lento e comportamento menos agressivo).

    Exames como a tomografia computadorizada, ressonância nuclear magnética, colangiografia (CPRE) e ecoendoscopia são os principais exames solicitados para avaliação e comprovação da doença. Além destes, marcadores tumorais como CA 19-9, CEA e cromogranina-A,  podem ser dosados no sangue para auxilio diagnóstico.

         Os sintomas dependem do local onde o tumor está situado (cabeça do pâncreas ou pâncreas distal – corpo e cauda do pâncreas).

    Porém uma característica comum a praticamente todos os tumores do pâncreas, é que costumam ser assintomáticos no início do quadro. Tal dado revela uma condição desanimadora, pois na maioria das vezes o diagnóstico se é realizado quando a tumor já está avançado. Em função do número de estruturas nobres ao redor do pâncreas, uma delas pode estar comprometida pelo tumor, dificultando em muito o tratamento.

Neste momento o cirurgião oncológico pode lançar mão de quimioterapia ou radioterapia pré-operatória para reduzir o tumor antes de uma cirurgia definitiva. Uma estratégia terapêutica individualizada é fundamental neste momento.

    Muitas vezes ressecções vasculares são necessárias, aumentando a complexidade do procedimento e seus riscos. Assim sendo, a escolha por um cirurgião capacitado torna-se indispensável. Equipes multidisciplinares, com a participação de cirurgiões vasculares, podem ser necessárias em alguns casos. Mas, cirurgiões com expertise em cirurgias hepato-bilio-pancreáticas estão habilitados a realizar, com competência e efetividade, esta intervenção.

        Os tumores de corpo e cauda frequentemente geram queixas como: dor abdominal, muitas vezes irradiada para as costas (pois o pâncreas fica logo na frente da coluna vertebral), vômitos, emagrecimento, anemia e a percepção de uma tumoração palpável na parte central do abdome.

        Já os tumores da cabeça do pâncreas, frequentemente abrem o quadro com icterícia, que é a impregnação da pele com um pigmento amarelo (semelhante ao indivíduo que tem hepatite). Isto ocorre pela obstrução do colédoco que impede a passagem da bile do fígado para o intestino.

`Outro sintoma comum é a obstrução duodenal pelo tumor.  Neste caso o tumor cresce em direção ao interior do duodeno impedidno a passagem de alimentos. Isto faz com que o paciente fique impossibilitado de se alimentar. Dor, emagrecimento e percepção de uma tumoração no abdome também podem ocorrer. 

Em suma, levando em consideração que geralmente o diagnóstico é feito em fases avançadas e a cirurgia é o único tratamento que pode levar a cura do câncer de pâncreas (sendo a quimioterapia e radioterapia tratamentos complementares), o papel do cirurgião é insubstituível no prognóstico desses pacientes.

Neste tópico abordamos apenas as neoplasias sólidas do pâncreas, no entanto as neoplasias císticas do pâncreas (cistos pancreáticos) também são frequêntes e podem representar um desafio diagnóstico ao médico assistente. Dentre estes estão:

  • Neoplasia cística mucinosa

  • Neoplasia cística seroso

  • Neoplasia intra-ductal mucinosa (IPMN)

  • Tumor sólido-cistico pseudo-papilar (tumor de Frantz)

    É essencial que o médico esteja habituado a diagnosticar e tratar estes tipos de tumores. Os desafios são muitos é a expertise da equipe é fator determinante.