O que é o Câncer?

June 8, 2017

 

 

O que é o Câncer?

É quando uma célula perde o controle sobre seu ciclo de vida e começa a se multiplicar sem limite ou freio. Uma célula é como um pequeno organismo: ela deve se multiplicar e depois sofrer apoptose (ou morte celular).

Quando mutações genéticas interferem neste ciclo, fazem com que estas células se multipliquem mais rápido e em maior proporção, além de não sofrerem apoptose. Esta hiperproliferação celular é a responsável pela formação dos tumores.

 

Todo tumor é um Câncer?

Não. Existem os tumores benignos e os tumores malignos. Tumores benignos não são Câncer, ao passo que tumores malignos são sinônimos de Câncer.

Um exemplo de tumores benignos são os lipomas. São decorrentes de uma hiperproliferação das células de gordura mas não colocam a vida do paciente em risco.

Basicamente, os tumores malignos são aqueles que tem a capacidade de:

  • gerar metástase (se disseminar para órgãos à distância através de células que ganham o sistema sanguíneo ou linfático);

  • recidiva (é o nome dado ao retorno do tumor ao seu local de origem, mesmo após a completa retirada cirúrgica);

  • Invadir estruturas próximas ao tumor  (penetrar em órgãos vizinhos);

  • levar à morte.

 

De modo prático, para diferenciar entre os tumores benignos ou malignos, devemos retirar um fragmento do tumor (chamado biópsia) e solicitar sua avaliação microscópica por um médico patologista. De acordo com as alterações celulares encontradas, este profissional é capaz de definir o tipo de tumor apresentado.

É importante afirmar que o Câncer não é uma doença única. O órgão em que ele se encontra e a célula que deu origem ao tumor fazem com que cada Câncer seja uma doença diferente da outra.

Existe uma leitura interessante sobre este assunto no site da American Cancer Society (www.cancer.org).

 

Qual a situação do Câncer no Brasil e no Mundo?

Estimativas e dados populacionais foram analisados e publicados pela renomada revista “The Lancet Oncology”, no artigo “Global cancer surgery: delivering safe,  affordable, and timely cancer surgery”. As provisões sobre o crescimento da mortalidade e do aumento do número de novos casos no mundo são assustadoras.  Para se ter uma dimensão do problema que citamos;

  • Em 2012 foram diagnosticados 14 milhões de novos casos de câncer no mundo.

  • Estimativa de 20 milhões para 2025

  • Mortes relacionadas ao câncer no mundo em 2012: 8 milhões

  • Previsão para 2025 : 11,4 milhões.

 

No Brasil estes dados seguem à tendência, segundo as estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCa), atualmente existem cerca de 600 mil casos novos de câncer no Brasil por ano. Pelas grandes dimensões de nosso território e pelas dificuldades sócio-econômicas do país provavelmente estes dados estão subestimados. No entanto, é fato que a população está envelhecendo e estamos vivendo um processo de transição demográfica. Tendo como fonte o IBGE, atingiremos pouco menos de 130 milhões de habitantes em 2042 com um número gradativamente maior de idosos. Não é difícil prever que a incidência do Câncer também aumentará. Deste modo, podemos dizer que além de uma epidemia momentânea mundial, o câncer é um grande problema do futuro.

 

Hoje, muito se fala em onco-geriatria. Debates entre cirurgiões, oncologistas e geriatras sobre como melhor abordar o tratamento do câncer no idoso. É uma população mais frágil na qual incide a maior parte dos novos tumores.  Sem dúvida é necessário uma equipe multidisciplinar e com expertise no assunto.

No Brasil o Câncer de mama é o câncer mais prevalente nas mulheres ao passo que o câncer de próstata é o mais frequente nos homens. Ambos são mais comuns em paciente idosos. No entanto, no que concerne a mortalidade relacionada ao Câncer, o Câncer de pulmão seguido pelo Câncer gástrico são os mais agressivos.

 

O Câncer tem cura?

A melhor resposta para esta pergunta é: sim, desde que façamos o diagnóstico em sua fase inicial e forneçamos o tratamento adequado.

Porém, avle lembrar como já foi dito. Cada Câncer é uma doença distinta e portanto, apresentam chances de cura também diferenciadas. Existem cânceres de comportamento mais agressivo e outros com crescimento lento e baixo potencial maligno. Há uma série de sinais que indicam uma maior ou menor gravidade da lesão cancerígena. Dentre elas destacamos o tamanho da lesão,  profundidade que o tumor alcança, presença de disseminação de células cancerígenas para os nódulos linfáticos, presença de metástase à distância, sensibilidade a quimioterapia, entre outros.

 

O que é estadiamento?

Sempre que o cirurgião oncológico avalia um paciente com Câncer ele pedirá uma série de exames chamados de “exames de estadiamento”. Estes visam determinar se o tumor está localizado (ainda restrito ao órgão onde o câncer se formou), ou se já sofreu disseminação sistêmica (surgimento de metástases). O fígado e ou pulmões são os órgãos nos quais mais frequentemente metástases são encontradas. Os exames de estadiamento  fornecem ao médico uma estimativa do prognóstico e auxilia na tomada de decisão quanto ao melhor tratamento a ser adotado.

 

Como tratar?

Quanto ao tratamento, acirurgia (seguindo os princípios oncológicos), quimioterapia e a radioterapia são os mais comuns. A ampla maioria dos Cânceres tem na cirurgia seu principal tratamento. Reservando a radio-quimioterapia para casos avançados ou como tratamento complementar a cirurgia.

Em trabalho intitulado “Cancer surgery: a vital speciality to prevent premature death” também publicado pela “The Lancet Oncology” fica claro que a cirurgia continua sendo o pilar de sustentação dos cuidados ao paciente com câncer.  Assume papel importante no diagnóstico, tratamento curativo, tratamento paliativo (dar conforto e qualidade de vida) e até mesmo papel preventivo em alguns casos.

 

Qual o papel do cirurgião oncológico no combate ao câncer:

Ratificando o que já foi dito, a maioria dos Cânceres tem no tratamento cirúrgico o seu principal pilar. Segundo a organização mundial da sáude (OMS), cerca de 80% dos pacientes com câncer necessitarão de cirurgia em algum momento de seu tratamento (dado encontrado na publicação da Revista do Colégio Brasileiro dos Cirurgiões intitulada; “Cirurgia oncológica: um grande desafio”). Desta forma, fica fácil entender que a qualidade da cirurgia tem relação direta com um melhor prognóstico (maior chance de cura, menor percentual de retorno do Câncer, maior taxa de sobrevida).

 

Portanto, escolha bem o cirurgião a quem entregar seu tratamento! Provavelmente esta será a decisão que mais irá influenciar em seu prognóstico.

 

Hoje existe uma tendência mundial de super-especialização da medicina e cirurgia. O grande fluxo de informações, surgimento cotidiano de novos tratamentos e melhoria dos materiais e técnicas cirúrgicas, impossibilita que um único profissional seja capaz de cuidar adequadamente de tudo. Não se trata de desvalorizar o médico generalista tão comum há décadas atrás. Este tem e sempre terá seu papel assegurado, no entanto deve se limitar as casos de menor complexidade. Atualmente a super-especialização atinge todas as áreas da medicina. Exemplos: há o cardiologista especializado em arritmias (arritmologista), o oftalmologista especializado em retina (retinólogo), o ortopedista que só opera mão (hoje já constitui especialidade a parte chamada cirurgia da mão) e obviamente a cirurgia oncológica ou cancerologia cirúrgica reservado ao tratamento cirúrgico do câncer.

 

Exemplificando, estudos confirmam que o cirurgião oncológico é fator prognóstico favorável no tratamento do câncer:

Allgayer e colaboradores em trabalho sobre tratamento cirúrgico do Câncer de estômago, publicado no British Journal of Surgery , comprovam que a qualidade do cirurgião em promover uma cirurgia sem resíduos é o mais poderoso fator prognóstico. O mesmo se confirma para os tumores intestinais. Porter e colaboradores em trabalho intitulado “surgeon-related factors and outcome in retal cancer”  demostraram que pacientes operados por especialistas obtiveram melhor sobrevida e menor percentual de retorno do câncer (recidiva).

 

Por fim, os exemplos são vários. A necessidade de um tratamento individualizado, humanizado, interdisciplinar e conduzido por um especialista é inegável.

 

 

Como prevenir o Câncer? Existe uma maneira?

Infelizmente não existe uma maneira 100% eficaz de evitar que um Câncer se desenvolva em você.  Isto porque o processo de formação do câncer é muito complexo e não totalmente conhecido.

 

Existem fatores genéticos envolvidos e que não podemos muda-los até o momento - quem sabe no futuro com os avanços da medicina e engenharia genética – e fatores associados a exposição a fatores de risco, ou seja, ao contato com agentes carcinógenos. Nestes sim, podemos e devemos interferir a nosso favor. É fácil de entender: não fume e terá um risco reduzido de desenvolver um câncer de pulmão, não pegue sol e terá um risco menor de apresentar um câncer de pele.

 

Como não podemos, de fato, prevenir o surgimento do Câncer, o mais importante é o diagnóstico precoce. É neste ponto que todas as politicas e esforços devem focar. É mais barato e eficaz tratar um Câncer na fase inicial!

No entanto sabemos que indivíduos que tem uma vida saudável, tem uma menor incidência de câncer. Neste ponto existe uma publicação muito interessante do MD Andreson Cancer Center chamada de “6 ways to live a healthy lifestyle” e pode ser encontrada em seu website. Em resumo, basicamente devemos:

 

  1. fazer exercício físico regular e manter nosso peso controlado.

  2. Não exagerar no consumo de bebida alcoólica

  3. Ter um bom sono

  4. Proibido fumar

  5. Usar protetor solar diariamente e não exagerar do sol

  6. Fazer exames de rotina para busca ativa de possíveis tumores malignos em fase inicial. Lembrando se diagnosticado precocemente o câncer tem cura!

 

Embora não esteja na cartilha citada, poderíamos facilmente incluir mais 4 itens,  constituindo os 10 passos principais:

  • beber bastante água e

  • manter uma alimentação saudável: dieta rica em fibra, com alimentos naturais e de preferência orgânicos, montar um prato colorido, sem exagerar na proteína animal e evitar ao máximo produtos enlatados e embutidos.  Somos o que comemos!

  • cuidar da saúde bucal (visita anual ao dentista)

  • reduzir o estresse! “mens sana in corpore sano”

 

Em suma, embora este tema possa parecer assustador, é preciso quebrar o tabu e discutir abertamente assuntos relacionados ao Câncer. Só a informação é capaz de abrir a mente e fazer com que os indivíduos se cuidem, busquem seus direitos e procurem auxilio médico sem preconceito. Não é aceitável que um homem se recuse a realizar o exame digital da próstata ou que uma mulher de baixa renda não tenha acesso a mamografia de rotina.

 

 

 

 

 

 

 

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