O básico sobre CÂNCER DO ESÔFAGO.

O que é?     O esôfago é um órgão tubular que leva a comida da boca até o estômago. O Câncer que aparece neste orgão é chamado de câncer de esôfago.     Existem dois tipos histológicos (classificação de acordo com a característica das células) de câncer de esôfago: o carcinoma epidermóide (também chamado de carcinoma espinocelular) e o adenocarcinoma. Embora os dois sejam cânceres que acometem o esôfago, são doenças totalmente diferentes e que possuem particularidades no tratamento.     O carcinoma epidermóide acomete principalmente o terço proximal e médio do esôfago. Este tumor tem íntima relação com o tabagismo, etilismo, o HPV (Papiloma Virus Humano) e maus hábitos de higiene bucal. Este é o tipo histológico mais frequente em países subdesenvolvidos. No Brasil este ainda é o tipo histólogico mais comum.    O HPV é o mesmo virus capaz de causar o câncer de colo uterino, vagina, pênis e ânus. Quando presente na cavidade oral facilita o aparecimento do carcinoma epidermóide de cabeça e pescoço (câncer de boca, língua, laringe, etc), além do câncer do esôfago. Paciente que já apresentou um carcinoma epidermóide de cabeça e pescoço, possui um maior risco de desenvolver um câncer de esôfago.    O adenocarcinoma surge com mais frequência na parte final do esôfago, próximo ao estômago. (OBS: a região exata da junção entre o esôfago e o estômago é chamada de Cárdia). Seu principal fator de risco é o refluxo de ácido gástrico para o esôfago. Ao longo do tempo, o processo de lesão e regeneração causado pelo ácido gástrico na mucosa do esôfago pode levar a formação do câncer. Quais os sintomas?        Infelizmente, o câncer do esôfago só começa a dar sintomas em fases avançadas. O sintoma mais frequente é a dificuldade para engolir. Isto ocorre pelo crescimento de um tumor no interior do esôfago impedindo a passagem dos alimentos. No entanto, como o esôfago é um órgão elástico, este sintoma só aparece quando pelo menos 90% da passagem está obstuida pelo tumor. Este é o principal motivo pelo qual geralmente os cânceres do esôfago não são diagnósticados em sua fase inicial.       A hemorragia digestiva alta, que caracteriza-se pela exteriorização de sangue na forma de vômitos, também pode ocorrer. Estes tumores são muito vascularizados e ocasionalmente podem sangrar. A caquexia (emagrecimento e desnutrição grave) é muito característico do cancer de esôfago.      Outros sintomas inespecíficos que podem estar presentes são: dor para engolir, dor no pescoço ou no tórax, tosse e rouquidão.  OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: quando o indivíduo é tabagista e apresenta inicio de rouquidão ou piora da rouquidão pré-existente, deve sempre procurar um médico. Uma série de exames são mandatórios. Existem vários cânceres que podem causar este sintoma, como o câncer do esôfago e o câncer da tireóide. Porém o câncer que tem a rouquidão como principal sintoma é o câncer da laringe.  Quais são os fatores de risco?     Além do tabagismo e etilismo, existem uma série de outros fatores de risco relacionados ao cáncer de esôfago. Entre eles estão:      Consumo de bebidas quentes - em paises como o Irã, onde possuem por hábito consumir uma bebida bem quente, assim como na ragião sul do Brasil onde grande parte da população local bebe o chimarão, a incidência de câncer de esôfago é um pouco maior.      Esôfago de Barrett. O que é o esôfago de Barret? É o nome dado a uma alteração que pode ocorrer na parte inferior esôfago devido à substituição de células originais do esôfago por células semelhantes a do intestino (este processo onde as células de um órgão se transformam em aparência a células de outro órgão é chamado de metaplasia intestinal especializada). O exame de endoscopia identifica esta parte doente do esôfago. A biópsia desta região confrimará a alteração acima. Geralmente o paciente queixa-se de uma sensação de queimação na "boca do estômago" que sobe para o peito e, às vezes associada a um gosto ácido na boca. Este sintoma é decorrente do  refluxo gastroesofágico. Como vimos acima, se este refluxo de ácido para o estôfago for mantido por um período prolongado (anos) apresenta um risco elevado de evoluir para câncer de esôfago do tipo adenocarcinoma. Quem possui esses sintomas, deve fazer endoscopias e biópsia periódicas a fim de detectar um possível câncer de esôfago em sua fase inicial, onde a chance de cura é maior.     Lesões Cáusticas – São lesões causadas pela ingestão de produtos químicos geralmente em pacientes que tentaram o suicídio.      Tilose palmo-plantar – Esta é uma doença que causa espessamento da planta das mãos e dos pés. Quem apresenta essa alteração, apresenta chances maiores de apresentar câncer do esôfago (cuja associação recebe o nome de Síndrome de Howel-Evans).        Síndrome de Plummer-Vinson - Essa síndrome é gerada por uma anemia com intensa ausência de ferro no organismo, ocasiona o aparecimento de tecidos que impede, total ou parcialmente, a descido do alimento do esôfago para o estômago.  Quanto ao diagnóstico?    A endoscopia é o exame de escolha para fechar o diagnóstico desta doença. Além dela visualizar o tumor, realizará as biópsias necessárias par o diagnóstico definitivo. Uma vez diagnósticado o câncer esofágico, uma série de outros exames devem ser realizados para determinarmos em que estágio está o câncer. É o estágio do tumor que vai determinar o tipo de tratamento indicado e o prognóstico. Um tumor pode estar no estagio I, II, III ou IV. O estágio I é o mais inicial e com ótimas chances de cura e o estágio IV o mais avançado e de pior prognóstico. Levaremos em consideração 3 informações para determinar o estágio de um tumor: (1) a profundidade na parede do esôfago que o tumor penetra, (2) se existe ou não gânglios linfáticos comprometidos pelo câncer e (3) se existe ou não metástase. A metástase é quando células tumorais ganham a corrente sanguínea e atingem órgãos à distância. Qual o tratamento?    Como vimos acima, o tipo de tratamento vai depender do estágio do tumor. Para estágios iniciais geralmente a cirurgia é o tratamento indicado. Para estágios mais avançados a radioterapia associado a quimioterapia representam uma opção melhor. Pra estágios intermediários a combinação entre cirurgia, radio e quimioterapia é uma opção interessante. No caso de cirurgia, qual a cirurgia indicada?    Neste casos devemos realizar a esofagectomia que consiste na retirada cirúrgica do esôfago. Para que o paciente possa continuar se alimentando pela boca, é necessária a construção de um tubo que conecte a garganta com o restante do intestino. Para istó ultilizamos parte do estômago.    O nome dado a cirugia da retirada do esôfago é esofagectomia. Esta pode ser feita pela via convencional ou por via laparoscópica (de forma minimamente invasiva). Existem diferentes técnicas descritas para a esofagectomia aberta (via convencional) sendo que as mais comuns são:       - Esofagectomia transhiatal - Nesta modalidade não é necessário que se realize um incisão no tórax. A cirurgia é realizada por via abdominal e cervical.        - Esofagectomia transtorácica - Nesta modalidade cirúrgica é necessario uma incisão adicional no tórax do paciente.       Importante salientar que não existe uma técnica melhor do que outra. Existem diferentes indicações para cada uma das técnicas descritas acima. A experiência do cirurgião neste tipo de cirurgia e fundamental para a obtenção dos melhores resultados. 


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